Ela fez tudo o que deveria fazer... Estudar, atualizar as contas na internet, marcar horários. Deitou-se na cama, sem sono, sua insônia era constante. O fone de ouvido, seu amigo, estava ligado, com uma das bandas favoritas a tocar estridentemente, sorri, os presentinhos estavam perto de si, seu dia fora agradável. Ela sentia uma força a puxando, precisava escrever. A pergunta que se fazia era o que escrever e sobre o que. Fechava os olhos em busca de uma frase para inicio, uma palavra, uma inspiração, e nada. Aquela força apenas aumentava a todo instante, riscava as bordas da folha, queria escrever um nome, chegou a quase, mas recusava-se, aquilo era passado, não fazia mais parte de sua história, além de ser tão hipócrita tal ação. Em conflito, ela se encontrava, a música alta parecia mais alta, sentia o som, identificava-se, o sentimento dele (o som) a dominava, queria gritar, sentia um leve prazer, talvez também desgosto de não tirar aquilo da cabeça; nunca admitiria isso. Queria cantar alto, voltava toda vez a que acabava, ouvira várias vezes. Ele gritava: ‘Suffocation, no breathing. Don't give a fuck if I cut my arm bleeding (…)Nothing is fine’, algo a sufocava silenciosamente, e nunca ninguém jamais iria saber, prometera a si mesma. Agora ele susurrava algumas palavras que não entendera bem, já despertava um olhar um tanto vingativo, ou talvez mau e ela gostava de tudo aquilo.
O pior segredo, ela ainda olhava constantemente o celular, várias vezes, em vão, tão automático, era ridículo. Aquela outra pessoa avisara de tudo, desse futuro que agora se fazia presente. Não se arrependera, nem mudaria nada. Já era alta madrugada, não percebeu a hora passar, sua insônia estava piorando, se assustara, era muito bom estar passando por isso, tudo tendia a dar certo. Sorria só, lembrava-se da frase: ‘ Há males que vem para o bem’. Não entendia o porquê de essa frase vir à tona, o que acontecera não fora um real mal para ela, era justamente o que desejava há certo tempo. Talvez estivesse por tantas pessoas acharem triste. Será que aquilo fora mal? Não, não fora, sabia e estava convicta disso. Mais do que nunca, ela desejava a vida, desejava viver. Isso era o que os diferenciavam um do outro. Ela
a vida, ele a morte.
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